"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original" Albert Einstein



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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A tragédia grega segundo Schelling


Muitas vezes se perguntou como a razão grega podia suportar as contradições de sua tragédia. Um mortal, destinado pela fatalidade a ser um criminoso, lutando contra a fatalidade e, no entanto terrivelmente castigado pelo crime que foi obra do destino! O fundamento dessa contradição, aquilo que a torna suportável, encontrava-se em um nível mais profundo do que onde a procuraram, encontrava-se no conflito da liberdade humana com o poder do mundo objetivo, em que o mortal, sendo aquele poder um poder superior – um fatum –, tinha necessariamente que sucumbir, e, no entanto, por não ter sucumbido sem luta, precisava ser punido por sua própria derrota.  O fato de o criminoso ser punido, apesar de ter tão-somente sucumbido ao poder superior do destino, era um reconhecimento da liberdade humana, uma honra concedida à liberdade. A tragédia grega honrava a liberdade humana ao fazer seu herói lutar contra o poder superior do destino: para não ultrapassar os limites da arte, tinha de fazê-lo sucumbir, mas, para também reparar essa humilhação da liberdade humana imposta pela arte, tinha que fazê-lo expiar – mesmo que através do crime perpetrado pelo destino... Foi grande pensamento suportar voluntariamente mesmo a punição por um crime inevitável, a fim de, pela perda da própria liberdade, provar justamente essa liberdade e perecer com uma declaração de vontade livre.

Cartas filosóficas sobre o dogmatismo e criticismo
Schelling, F.W.J.
Última carta, redigida em 1795,
 quando o filósofo tinha apenas 20 anos

segunda-feira, 15 de março de 2010

LEITURA DRAMÁTICA DAS TRAGÉDIAS GREGAS: UM RECURSO PARADIDÁTICO


Há mais ou menos um ano, um grupo de alunos do Centro de Ciências do Homem da UENF, tendo se conscientizado de suas dificuldades de leitura, sobretudo de interpretação de textos, resolveu, por sugestão da prof.ª Sylvia Joffily, dedicar-se a leitura sistemática das tragédias gregas. A escolha pela leitura teatral deve-se, principalmente a três diferentes fatores:
1- ao fato da tragédia, quando lida em voz alta e em primeira pessoa, despertar mais facilmente no leitor as emoções vivenciadas pelos personagens;
2- ao fato desta arcaica modalidade de expressão artística transportar o leitor às raízes evolutivas e culturais do homem moderno; e
3- ao fato dela estimular a autoconsciência e, consequentemente, o exercício da cidadania.